Tarte "Mince Pie" com Crumble


Costumo ficar meio nostálgico nesta altura do ano. O Natal é para mim um misto de emoções, boas e menos boas. E apesar de agora já ver esta quadra com outros olhos, durante anos eu ansiava que o mês de Dezembro chegasse ao fim depressa ou que simplesmente não existisse. Faz hoje precisamente 20 anos que me despedi para sempre da pessoa mais querida que conheci em toda a minha vida, a minha mãe a pessoa que me trouxe a este mundo. Éramos muito unidos e vivemos juntos tantos momentos bons, criámos tantas memórias em volta da comida, especialmente na altura do Natal. Todos os anos íamos ao pinhal à procura do pinheiro de Natal, colhíamos o musgo para o presépio, e juntos preparávamos as broas, também conhecidas por merendeiras, que depois eram distribuídas pela família. Os sonhos de abóbora eram um clássico sempre presente. Enquanto ela os fritava eu mergulhava-os na mistura de açúcar e canela, ao mesmo tempo que me lambuzava a prová-los ainda quentes. Na consoada ela preparava sempre o bacalhau, que era regado com bastante azeite e acompanhado com as couves colhidas da nossa horta e cozidas ao lume em grandes quantidades, na panela de ferro. O forno de lenha não parava por esses dias, ora para fazer pão ora para os assados do dia de Natal. Ainda consigo sentir os aromas que se viviam naquela cozinha de lareira aberta. Pudesse eu voltar atrás, pudesse regressar no tempo e viver de novo todas aquelas memórias, sentir aqueles cheiros, ouvir o seu riso, sempre tão espontâneo e genuíno e vê-la sorrir. Não posso. A dor da perda continua cá. É uma ferida que nunca irá curar mas que o avançar do tempo ajuda a superar. Ficam as boas memórias, as boas recordações de outros natais muito felizes.


A escassos dias da noite mágica, cá em casa preparam-se os últimos presentes. Testam-se algumas receitas e fazem-se algumas compras de última hora. Os dias são pequenos demais, o tempo não quer dar tréguas, e parece não ser suficiente para tudo o que queremos fazer. Tinha algumas sugestões para partilhar aqui mas que por falta de tempo terão de continuar no papel e ficar para outra oportunidade. Os dias passam depressa e o ano está quase a chegar ao fim. É tempo de fazer uma retrospectiva, de pensar em novos desafios, de traçar novos objectivos. Mas por enquanto tenta-se viver o espírito desta que é a quadra mais festiva do ano. 

Este ano, por circunstâncias várias, não terei toda a família reunida. O importante é saber que, dentro do possível, todos estão bem. Costumamos dividir tarefas e a mim cabe-me o preparar das entradas e das sobremesas. Confesso que não sou grande apreciador das sobremesas típicas natalícias. A maioria delas são fritas e levam quantidades astronómicas de ovos e açúcar. E onde quer que vamos existem sempre os sonhos, as rabanadas ou o tradicional bolo rei. Por isso costumo sempre procurar alternativas, por norma sobremesas de outros países e culturas. Pela primeira vez aventurei-me a preparar uma Mince Pie, uma tarte de origem britânica que leva um recheio à base de maçã, frutos secos e desidratados, especiarias e rum ou brandy, o chamado "mincemeat". Já vi tantas receitas e várias versões desta tarte que a vontade de a experimentar era muita. Quando vi o "mincemeat" à venda não resisti a comprar e apesar de ser uma versão de compra, podem preparar o vosso "mincemeat" em casa. A receita escolhida foi esta versão de uma tarte única, à qual adicionei maçã e que leva uma camada crocante de crumble. Usei a massa que sobrou da base para fazer algumas estrelas que usei na decoração. Confesso que fiquei bastante surpreendido com o resultado final. Não fica uma tarte muito doce e é perfeita para acompanhar de uma bola de gelado ou natas batidas. Será para repetir, com certeza.


Tarte "Mince Pie" com Crumble 
(receita adaptada do blog Baking Martha)

Ingredientes:
{para a massa}
| 200 g de farinha s/ fermento
| 50 g de amêndoa moída
| 1/2 c. (chá) de canela
| 35 g de açúcar amarelo
| 125 g de manteiga fria, em pedaços
| 1 gema de ovo

{para o recheio}
| 411 g de Mincemeat (podem preparar o mincemeat caseiro, vejam esta receita)
| 1 maçã Reineta ralada

{para o crumble}
| 75 g de farinha
| 75 g de manteiga fria
| 50 g de açúcar amarelo

Preparação: 
1 . Comece por preparar o crumble, misturando com os dedos a farinha, a manteiga fria e o açúcar até  obter uma mistura areada e húmida. Reserve.

2 . Numa taça larga misture a farinha, a amêndoa moída, a canela e o açúcar. Adicione a manteiga em pedaços, a gema de ovo e 1-2 c. (sopa) de água. Misture e amasse até obter uma massa homogénea e moldável. Forme uma bola com a massa, envolva em película aderente e leve ao frigorífico por 30 minutos.

3 . Pré-aqueça o forno a 200ºC. 
Com o rolo, estenda a massa numa superfície enfarinhada até atingir a espessura de 0,5 cm e com o comprimento suficiente para forrar uma forma de fundo amovível com cerca de 22cm X 22cm. Pressione bem a massa contra o fundo e as laterais da forma e corte o excesso. Pique a massa com um garfo e leve a refrigerar cerca de 15 minutos (reserve a massa que sobrou).

4 . Coloque uma folha de papel vegetal sobre a massa e preencha com feijão seco ou pérolas de cerâmica (isto irá evitar que a massa crie bolhas e enfole enquanto está o forno) e leve ao forno por 15 minutos. Retire o feijão e deixe cozer por mais 8 minutos. Retire a tarte do forno e reduza a temperatura para os 180ºC.

5 . Misture o Mincemeat com a maçã ralada e distribua pela tarte. Preencha toda a superfície da tarte com o crumble reservado.

6 . Estenda a massa que sobrou, numa superfície enfarinhada e corte em pequenas porções, usando cortadores de bolachas em forma de estrela. Distribua num tabuleiro de forno forrado com papel vegetal.

7 . Leve a tarte e o tabuleiro com as bolachas ao forno. Retire as bolachas ao fim de 10-12 minutos e a tarte ao fim de 25-30 minutos ou quando a superfície começar a ficar dourada.

8 . Polvilhe as bolachas com açúcar em pó e cacau em pó e decore a tarte a gosto.

Bacalhau da Islândia Confitado com Crumble de Broa e Tomate Seco [e Puré de Batata Doce]


Estamos em contagem decrescente para o Natal! Apesar de cá em casa o espírito da quadra ainda não estar totalmente instalado (tradicionalmente a árvore de Natal só é montada no dia 1 de Dezembro) já vou pensando nas receitas que pretendo preparar para a consoada. Porque o Natal é mesmo isso, é o reunir da família e dos amigos em volta de uma mesa, é partilhar sorrisos e criar memórias, com pratos mais ou menos tradicionais. E para cumprir a tradição, na mesa de Natal tem de estar sempre presente o bacalhau. Desde pequeno que, ano após ano, o bacalhau era sempre servido na noite de Natal, cozido e acompanhado com couves. E bem regado com o "azeite novo", extraído das azeitonas que colhíamos das oliveiras do meu avô. E o que eu adorava ensopar o pão naquele azeite! Ainda hoje gosto, mas os sabores nunca serão os de outrora. O meu gosto por pratos de bacalhau tem vindo a melhorar cada vez mais e tenho imensa curiosidade em provar e experimentar receitas novas. 


Aceitei o desafio de criar uma receita para a mesa da consoada, usando o Bacalhau da Islândia. Quando falamos em Islândia falamos certamente do melhor bacalhau do mundo. É neste país de águas cristalinas que nasce um bacalhau de qualidade superior que se desenvolve num habitat perfeito graças às correntes de águas frias e quentes que criam condições de excelência para o desenvolvimento do bacalhau. Proveniente de fontes sustentáveis que asseguram a manutenção de stocks a longo prazo, o Bacalhau da Islândia é certificado em toda a cadeia, desde que é pescado até chegar à mesa dos consumidores. A base da qualidade deste bacalhau assenta na sabedoria dos pescadores que respeitam a sustentabilidade da espécie e os gostos dos consumidores.

A qualidade deste bacalhau destaca-se pela grossura dos seus generosos lombos que, depois de demolhados, permitem criar pratos mais sofisticados. A minha escolha foi para uns lombos de bacalhau confitados em azeite aromatizado com alho, louro, tomilho e pimenta da Jamaica. Acompanhei com um delicioso puré de batata doce e espinafres salteados. Para criar alguma textura, juntei um delicioso crumble de broa e tomate seco. No geral é uma receita bastante equilibrada em termos de sabor e é a opção perfeita para apresentar na mesa da consoada.


Bacalhau da Islândia Confitado com Crumble de Broa e Tomate Seco [e Puré de Batata Doce]

Ingredientes: 
| 3 lombos de Bacalhau da Islândia
| 4 dentes de alho 
| 3 folhas de louro
| 1 raminho de tomilho 
| 6 grãos de pimenta da Jamaica                    
| 600 ml de azeite virgem extra
| 100 g de broa de milho
| 20 g de tomate seco
| 100 g de espinafres
| sal 

[para o puré de batata doce]
| 400 g de batata doce laranja
| 60 ml de água
| 40 ml de leite
| 20 g de manteiga                                                                                 
| noz moscada
| pimenta
| sal

Preparação: 
1 . Pré-aqueça o forno a 100ºC

2 . Disponha os lombos de Bacalhau da Islândia num tabuleiro tipo pyrex. Distribua os dentes de alho, o louro, o tomilho e a pimenta da Jamaica.

3 . Regue generosamente o Bacalhau da Islândia com o azeite até que os lombos fiquem mergulhados até metade.

4 . Leve ao forno durante 40-45 minutos (o tempo irá depender da altura dos lombos). O azeite não deverá ferver e o bacalhau deverá assar lentamente.

5 . Para o puré, leve um tacho ao lume com a batata doce cortada em cubinhos. Cubra a batata com a água e o leite, tape o tacho e deixe cozinhar durante cerca de 20 minutos.

6 . Junte a manteiga e tempere com noz moscada, sal e pimenta. Triture até obter um puré liso e macio.

7 . Prepare o crumble, triturando a broa de milho juntamente com o tomate seco. Disponha num tabuleiro e leve ao forno pré-aquecido a 190ºC durante 8 minutos.

8 . Leve uma frigideira ao lume com um fio de azeite. Junte os espinafres, tempere com sal e salteie.

9 . Para servir, disponha o puré de batata num prato, junte os espinafres salteados e o lombo de Bacalhau da Islândia. Regue com azeite e cubra a superfície do lombo com o crumble.

Mini Quiches de Cogumelos


Estamos em contagem decrescente para o Natal e a pouco mais de um mês para o ano chegar ao fim. Sinceramente não tenho dado conta de o tempo passar. E se ainda há um mês atrás as temperaturas rondavam os 30ºC, o tempo quente convidava a vestir roupas leves e a passear à beira mar, de repente o tempo frio instalou-se, já nem ousamos sair de casa sem um casaco, as ruas já se encontram decoradas para receber a quadra festiva e em toda a parte já se ouvem as músicas de Natal. O trabalho, a azáfama de querer chegar a todo o lado, a correria do dia-a-dia e o pouco tempo livre que tenho para dedicar a mim próprio, à família e aos amigos faz com que eu não note o calendário a avançar. 

Por outro lado estou ansioso para que cheguem esses dias de festa. É necessário abrandar, fazer uma pausa e passar algum tempo de qualidade em família. Matar saudades, meter a conversa em dia e aproveitar aqueles pequenos momentos aos quais por vezes não damos tanta importância. Há a necessidade de carregar baterias e planear minuciosamente o novo ano que se aproxima. Traçar novas  metas e objectivos, deixar para trás aquelas coisas sem importância com as quais às vezes nos aborrecemos desnecessariamente e dar valor ao que realmente importa, ao que nos faz felizes. Encontrar um equilíbrio que nos permita viver cada dia em plenitude. Porque só dessa forma o tempo poderá ser aproveitado e bem gerido e assim daremos mais valor a vida.


Com o tempo a passar depressa e no meio de tantos afazeres, também o blog acaba por andar um pouco a passo de tartaruga. A frequência de publicações aqui não é nem de longe a que eu gostaria que fosse.  São tantas as receitas que gostava de experimentar. Vou fazendo o que posso e quando posso, mas será sempre um prazer vir aqui partilhar as minhas sugestões, as receitas que eu experimento e que me dão prazer a cozinhar. 

Estas mini quiches, bem outonais, já vêm com alguns dias de atraso. Foi uma receita especial que preparei para acompanhar o artigo do mês de Outubro, que desenvolvi em colaboração com o site Alegro. Escrevi o artigo alguns dias depois de as aulas terem começado. Neste artigo, que podem ler na íntegra aqui, falo dos lanches para o regresso às aulas, da importância na escolha dos ingredientes e na sensibilização de uma alimentação mais cuidada e equilibrada. Estas mini quiches foram preparadas com farinhas integrais e ingredientes naturais o que as torna uma opção mais saudável para colocar na marmita dos lanches dos mais pequenos.


(artigo mensal escrito em colaboração com o site Alegro)

Lanches Para o Regresso às Aulas

É tempo de os miúdos regressarem à escola. Chega a altura de aprender novas matérias e de fazer novos amigos. Cadernos forrados, livros prontos e mochila arrumada, sem esquecer, claro, os lanches para o recreio. Esta é a parte que compete aos pais, a organização e preparação de lanches e marmitas equilibrados e nutritivos, mas ao mesmo tempo fáceis de preparar e acima de tudo que agradem às crianças. Uma tarefa que muitas vezes se pode tornar num grande desafio.

Na preparação de lanches e marmitas para os mais pequenos é fácil, muitas vezes, cair em tentação quando, ou por falta de tempo ou mesmo por desconhecimento, vamos às compras ao supermercado e acabamos por comprar alimentos processados, com elevados níveis de açúcar e gordura. Batatas fritas, barras de chocolate e refrigerantes são acessíveis a qualquer bolsa, mas é importante referir que, a longo prazo, o consumo frequente destes alimentos irá trazer problemas de saúde para os vossos filhos. Para contornar essa situação, nada melhor que preparar com antecedência as lancheiras dos miúdos, habituando-os a levar o lanche de casa.

O que levar na lancheira?

Importa, desde cedo, promover uma alimentação saudável junto dos mais pequenos e fazê-los compreender que é importante comer um pouco de tudo, desde que de forma equilibrada. Lanches práticos e fáceis de preparar mas acima de tudo, nutritivos e saudáveis, devem ser tidos como referência (...)

(leiam o artigo completo aqui)


Mini Quiches de Cogumelos

Ingredientes: 
[para a massa]
| 100 g de farinha de trigo integral
| 100 g de farinha de trigo sarraceno
| 1/2 c. (chá) de fermento seco
| 1/2 c. (chá) de sal
| 1 c. (chá) de tomilho           
| 2 c. (sopa) de azeite
| 1 ovo
| 50 ml de água morna

[para o recheio]
| 2 c. (sopa) de azeite
| 2 cebolas roxas
| 1 dente de alho
| 300 g de cogumelos
| 1 c. (sopa) de tomilho 
| sal, pimenta e noz moscada
| 2 ovos L
| 150 g de natas vegetais
| cebolinho fresco p/ servir

Preparação:
1 . Prepare a massa, misturando numa taça as farinhas, o fermento, o sal e o tomilho. Faça um buraco no centro da mistura e junte o azeite, o ovo e a água. Amasse todos os ingredientes até que estes liguem.

2 . Transfira a massa para uma superfície enfarinhada e amasse mais um pouco. A massa deverá ficar mole, mas despegar dos dedos. Se necessário, acrescente um pouco de farinha e volte a amassar. Forme uma bola e deixe repousar alguns minutos.

3 . Pré-aqueça o forno a 180ºC. 
Estenda a massa com o rolo e forre com ela as formas das tarteletes, previamente untadas com manteiga.

4 . Leve uma frigideira ao lume com o azeite, a cebola roxa cortada em meias-luas e o dente de alho picado. Deixe cozinhar um pouco até a cebola ficar macia. 

5 . Junte os cogumelos laminados, o tomilho e tempere com sal e pimenta. Deixe cozinhar alguns minutos até que os cogumelos amoleçam e todo o líquido tenha evaporado. Distribua este preparado pelas tarteletes.

6 . Bata os ovos juntamente com as natas, tempere com sal, pimenta e noz moscada e distribua este creme sobre os cogumelos.

7 . Leve ao forno durante 20 minutos, desenforme, deixe arrefecer e sirva com cebolinho picado.